Camara Municipal de Indaiatuba

Camara Municipal de Indaiatuba



 

Home :: Informações Gerais : História da Cidade
Voltar
 
 
HISTÓRIA DA CIDADE
 

Indaiatuba: esboço de uma história

Adriana Carvalho Koyama

Marcelo Alves Cerdan

Arquivo Público Municipal

Fundação Pró-Memória de Indaiatuba

Maio de 2009

Muitas histórias podem ser contadas sobre Indaiatuba, algumas mais vivas nas memórias, outras mais documentadas nos papéis dos arquivos, outras ainda imaginadas a partir de indícios mais ou menos eloqüentes. Faremos aqui um breve relato de nossa história urbana, econômica e política, sabendo que esse quadro será apenas uma introdução ao tema.

A província de São Paulo quase não tinha núcleos urbanos até o século XVIII, e em nossa região existiam apenas as Vilas de Itu e Jundiaí. Então, o governo português implementou uma vigorosa política de incentivo à produção de açúcar na província, na segunda metade do século XVIII. Essa iniciativa, deslanchada pelo governador Morgado de Mateus, visava estimular o povoamento do interior de São Paulo. Seu objetivo era incentivar o surgimento e crescimento de novas Vilas, criando núcleos de população para enfrentar um possível avanço dos espanhóis no sul do país.

Fazenda Taipas - em Itaici

Em seu início, o povoado de Indaiatuba foi um dos bairros rurais da Vila de Itu, no caminho que era passagem de tropas para o sul do Brasil, passando por Sorocaba, e do sul para as vilas mineradoras de Mato Grosso e Goiás, passando pelo mesmo caminho. No século XVIII os caminhos para o interior eram estreitos, sendo percorridos com o auxílio de mulas, burros e cavalos, que transportavam todo o comércio regional e de exportação. O arraial aparece como Indayatiba já nos registros do censo de 1768. Com uma pequena população que vivia, sobretudo, de suas roças de milho e feijão, esse arraial também é chamado de Cocaes, por causa dos seus campos de palmeiras Indaiá. 1 Encontramos, nos séculos XVIII e XIX, referência aos bairros de Piraí, Itaici, Mato Dentro, Buru e Indaiatuba.

Como aconteceu também com outros povoados próximos, a dinâmica econômica trazida pela produção de açúcar e aguardente mudou a vida dos pequenos bairros rurais que formaram Indaiatuba: em cem anos cresceu o número de engenhos de tal modo que, por volta de 1850, já não havia aqui um só córrego com queda suficiente para mover uma roda d'água que não tivesse já a sua "fábrica de fazer açúcar". Desse primeiro período de ocupação temos preservada a sede da Fazenda Engenho D’Água, patrimônio histórico de nossa cidade. Embora a referência mais antiga a esse engenho esteja no “Livro de Registros de Terras da Freguezia de Indaiatuba”, datado de 18 de setembro de 1855, acredita-se que ele foi erguido por volta de 1770, antes da existência do núcleo urbano que inclui a Igreja Matriz, a Casa Número 1 e o Casarão. Sua construção é de taipa-de-pilão, e suas paredes têm espessura de 0,64m a 0,75m. Construído com a frente para o Córrego Barnabé, o prédio serviu de sede para a fazenda, produtora de açúcar e, posteriormente, de café.

O Casarão do Pau Preto foi construído nas terras vizinhas às da fazenda e engenho de açúcar da família Bicudo, provavelmente entre 1810 e 1820, no final do período colonial brasileiro. Sua construção de arquitetura bandeirista é de taipa de pilão e, em algumas partes, taipa de mão. Em meados do século XIX ele fez parte de uma chácara urbana do pároco de Indaiatuba, Antonio Cassemiro da Costa Roriz.

Em torno dessas fazendas de açúcar foram se fixando, desde o final do século XVIII, pessoas que viviam do comércio e da fabricação artesanal de produtos para os habitantes próximos.

Casarão - sem data

O núcleo urbano de Indaiatuba se fixou em torno do Largo da Igreja, como era costume. A história política de Indaiatuba inicia-se com a ereção de sua capela curada, através da doação de alguns imóveis feita à capela, por Pedro Gonçalves Meira, em 1813. Por esse gesto Pedro é considerado o fundador de nossa cidade.

Igreja da Candelária

Ter sua capela curada possibilitou ao pequeno bairro ser o centro civil local, uma vez que, a partir daí, puderam ser feitos nessa igreja os batismos, casamentos e sepultamentos, tanto da população próxima como dos habitantes dos bairros rurais vizinhos.

 

Igreja ainda sem suas torres - 1910

Um fato curioso é de que a primeira padroeira dessa capela foi Nossa Senhora da Conceição. Após a morte de Pedro, seu irmão Joaquim passou a cuidar dessa capela e, devoto de Nossa Senhora da Candelária, transformou-a em sua padroeira. Essa capela, ampliada e reformada, é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária. É uma das poucas igrejas construídas em taipa de pilão no interior de São Paulo ainda existentes, e um belo exemplo da arquitetura religiosa colonial paulista. Durante o século XX foram feitas reformas para melhorar o seu interior, trocando-se o forro, a pintura e a iluminação. Seu Largo recebe há mais de cento e cinqüenta anos a Festa da Padroeira e os romeiros que vão para Pirapora.

Em torno do largo da Igreja da Candelária a Vila se formou. A casa numero 1, no beco da Matriz. O muro de taipa de seu antigo quintal se estende ate a Rua Pedro Gonçalves, em frente ao Casarão.

Na segunda metade do século XIX, o café substituiu aos poucos o açúcar como principal produto de nossa agricultura de exportação. Sabemos que Joaquim Emígdio de Campos Bicudo, cafeicultor dono da Fazenda Pau Preto, comprou a propriedade do espólio do padre Roriz, agrupando então a antiga fazenda Pau Preto a uma chácara vizinha que já possuía e à chácara onde estava o Casarão. Transferiu para lá a sede da fazenda e construiu uma nova área, feita conforme o padrão das indústrias inglesas do século XIX, de tijolo à vista. Lá instalou a primeira máquina de beneficiar café da cidade, movida a vapor.

Casarão com a tulha e a casa das máquinas para beneficiamento de café.

Em nove de dezembro de 1830 Indaiatuba tornou-se, por decreto do Imperador, sede de uma das Freguesias da Vila de Itu, englobando também os bairros de Itaici, Piraí, Mato Dentro e Buru. Em 1835 havia na sede da Freguesia, Indaiatuba, 142 habitantes, em Mato Dentro eram 454, em Itaici 625 e, em Piraí, 805 habitantes. Sua elevação à condição de Vila ocorreu em 24 de março de 1859. Com esse novo estatuto Indaiatuba ganha autonomia política em relação a Itu, passando a ter sua própria Câmara de Vereadores. A Câmara é, desde o período colonial até o final do Império, responsável pelo poder político local no Brasil. A função de Prefeito só passou a existir a partir da República.

[1] [2] [3]

Página 1 de 3

 

Siga-nos nas Redes Sociais

 

CÂMARA MUNICIPAL DE INDAIATUBA ® 2017  | Rua Humaitá, 1167 - Centro - Indaiatuba - SP  CEP 13339-140 |  Tel: (19) 3885-7700