A Câmara debateu nesta quinta-feira (9), em audiência pública, as causas do aumento, registrado em todo o País, do número de episódios de assédio, ameaça e agressão física contra profissionais de saúde. Promovida a pedido do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde da Região de Campinas (Sinsaúde), a audiência foi conduzida pelo presidente da Comissão de Educação, Saúde e Assistência Social da Câmara, vereador Sérgio Teixeira.
Além dos diretores do Sinsaúde, Waldir de Marchi, Adriana Oliveira Fernandes e Tânia Cristina de Jesus, debateram o assunto o presidente da Câmara Túlio Tomass do Couto e o secretário municipal de Saúde Flávio Britto, ambos médicos, além da secretária adjunta de Saúde e enfermeira Silene Carvalini e do vereador Danilo Barnabé.
De acordo com os debatedores, o aumento da violência é causado por diversos fatores. “Não dá para negar que, em todo o País, o número de leitos, de centros de especialidades e de UTIs é insuficiente para uma demanda sempre crescente”, afirmou Túlio Tomass. “E temos de entender que para o paciente, que está com dor e ansioso para que a dor acabe, qualquer demora vai deixá-lo irritado e sem paciência”, disse.
Os diretores do Sinsaúde apontaram as más condições de trabalho oferecidas aos profissionais da saúde como uma das principais causas do problema: “A baixa remuneração, somada a uma carga de trabalho insalubre, faz com que número insuficiente de pessoas se interesse pela profissão, ao mesmo tempo que causa a desistência de quem já atua na área”, explicou Waldir de Marchi. “Com todos os problemas, há que amar muito a profissão para continuar nela”, disse Adriana Oliveira.
Indagado pela plateia, formada majoritariamente por estudantes do curso de enfermagem do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), sobre o que o município pretende fazer para melhorar a qualidade do atendimento à população e reduzir o volume de casos de violência, o secretário Flávio Britto respondeu que, para os próximos três anos, está programada a entrega de mais duas unidades, a ampliação da capacidade de realização de cirurgias de baixa e média complexidade do Hospital Dia e a construção de um novo hospital com 60 leitos. “Além disso, precisamos de uma nova UPA, com instalações novas e equipamentos de última geração, e estamos empenhados para conseguir essa melhoria”.
Ao final da audiência, a plateia ouviu dos debatedores o mesmo pedido: não desistam da profissão. “Vocês são fundamentais”, frisou o presidente da Câmara. “Tenham paciência, entrem na unidade de saúde deixando todos os seus problemas do lado de fora e lembrem-se que o paciente se sente muito carente”, disse Tânia Cristina.
Silene Carvalini, por sua vez, recomendou: “Quando chegar algum paciente nervoso, tentem acalmá-lo, acolhê-lo, mas se isso não for suficiente, chamem a Guarda Municipal”.








